Tecnocracia
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May 21, 2020
O mundo pós-COVID-19: há pouco de novo no “novo normal”
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O escritor argentino Julio Cortázar publicou em 1969 o conto que melhor sintetiza a passagem de tempo na literatura mundial, segundo a minha opinião. Chama-se A auto-estrada do Sul e está num livro chamado Todos os fogos o fogo”. No conto, uma multidão de carros avança por uma estrada que liga o interior da França a Paris numa tarde de domingo até que todos são obrigados a parar em um congestionamento. Naquele anda e para conhecido por qualquer um que já tenha passado horas em um engarrafamento, os carros seguem por quilômetros até que param completamente.

As preocupações que cada um dos ocupantes dos carros descritos no conto tem envolve o curto prazo:

As duas freirinhas do 2HP gostariam de chegar a Milly-La-Fôret antes das oito horas, pois levavam uma cesta de legumes para a cozinheira. O casal do Peugeot 203 se preocupava, sobretudo, em não perder os jogos televisionados das nove e meia; a moça do Dauphine dissera ao engenheiro que para ela pouco importava chegar mais tarde a Paris, mas reclamava por princípio, porque achava absurdo o fato de que se submeterem milhares de pessoas a um regime de caravana de camelos.

Com horas e horas totalmente parados e a noite de domingo de aproximando, os motoristas perceberam que o que quer que tenha acontecido logo adiante era grave o suficiente para interromper totalmente a estrada durante horas e horas. Eles teriam que passar a madrugada ali e, se o trânsito não avançasse, dormir em seus carros.

O conto todo, como é um padrão do Cortázar, é muito bem escrito e introduz uns personagens bem interessantes sobre os quais eu não vou me aprofundar para não estragar a sua leitura — eu te aconselho a ler. É muito bonito, além de ser curto. O ponto é que o engarrafamento não durou horas. Durou meses. Durante esses meses, os ocupantes dos carros abandonaram as preocupação de curto prazo, como a cesta de legumes e os jogos televisionados, e criaram uma comunidade que tinha suas próprias preocupações. Houve a eleição de líderes, disputas de poder entre grupos de carros, casais que se formaram e alguns dos mais velhos morreram nesse arranjo. Enquanto a vida com a qual todos os motoristas estavam acostumados parou, outro tipo de vida seguiu num formato que ninguém antevia. Nesse processo, os ocupantes tiveram contato com uma gama de emoções. Primeiro a apreensão natural frente ao desconhecido, depois certo alívio por ver algumas situações familiares se repetirem, até um certo ânimo de estar à frente do novo, de ter uma chance de recomeçar; o tédio, a tristeza, a melancolia, até que a fila de emoções chegasse aos planos que todos faziam quando aquele engarrafamento terminasse.

Você não precisa ter sido o aluno mais brilhante da sua sala no colegial para entender do que a gente está falando aqui. Enquanto a vida com a qual todos nós estávamos acostumados parou, outro tipo de vida que ninguém antevia emergiu e a fila de sentimentos segue uma toada parecida — na quarentena, em alguns dias bate a tristeza, em outros, a esperança. Para alguns, sobrecarregados do trabalho que a maioria renega por medo da doença, não há nem espaço direito para as emoções. Agora estamos todos presos no engarrafamento, nos adaptando a essa nova vida e, frente a dias alegres e tristes, tentando prever e planejando o que será a realidade quando alguma solução definitiva for encontrada para o SARS-Cov-2. Convencionou-se chamar esse momento pós-COVID-19, que a gente ainda não consegue ver com clareza, de “novo normal”. Mas o que é o tal do “novo normal”, o que tem de novo nele e, principalmente, os planos que a gente está fazendo agora serão de alguma valia?

Não tem jeito melhor de aferir a realidade que olhar para dados. É isso o que a gente vai fazer nesse episódio do Tecnocracia, para tentar entender o que é o “novo normal” para, lá no fim, voltar ao conto do Cortazar e como termina esse engarrafamento gigantesco.

O primeiro passo para o entendimento é pintar o cenário no qual o “novo normal” vai se desenrolar. O SARS-Cov-2 não vai desaparecer completamente a partir do momento em que governantes resolverem relaxar suas políticas de confinamento. É algo que a gente já conseguiu ver na Coreia do Sul e na cidade chinesa de Whuan — enquanto achávamos que ambas as regiões estavam entrando no “novo normal”, o vírus reapareceu e começou, de novo, a entupir os hospitais. Uma informação entre centenas que ainda não sabemos é se alguém que já teve COVID-19 se torna imune ao vírus e pode sair por aí abraçando e lambendo a boca dos outros com a certeza de que não voltará a ficar doente, e se sim, por quanto tempo a imunidade dura. A teoria da “imunidade do rebanho” se apóia nessa premissa, ainda não verificada na prática. Imagine que você acelere a infecção de um povoado para torná-los todos “imunes”, só para depois descobrir que o Sars-Cov-2 funciona mais como uma gripe (que você pega uma vez por ano e tem alto índice de mutação) do que como a catapora (pegou uma vez, passou).

“Até que uma vacina ou outra medida protetiva apareça, não existe nenhum cenário, concordam os epidemiologistas, nos quais é seguro para que muitas pessoas de repente saíam da quarentena. Se a população voltar com força à sua rotina, tudo parecerá quieto por talvez três semanas. Aí as salas de emergência estarão cheias de novo”. Esse é um trecho escrito pelo Donald McNeil, jornalista especializado em pandemias do The New York Times, em que ele ouviu dezenas de especialistas para entender quais serão os próximos passos. McNeil é o mesmo sujeito que no começo de fevereiro já tinha soado a sirene sobre a quarentena. Baseado na experiência dele cobrindo pandemias e nas dezenas de fontes que ouve, ele sabe o que está falando.

Algo que o texto do McNeil esclarece é que a estimativa de uma vacina pronta em 18 meses é um delírio otimista. O processo de fabricação de uma vacina, dos primeiros testes à produção em massa, dura, em média, cerca de quatro anos, não apenas pela velocidade lenta do processo científico — nos seus testes com animais e humanos —, mas também porque a capacidade fabril de vacinas no mundo todo é na ordem das centenas de milhões. Claro que estamos usando como dados para a estimativa um cenário pré-COVID-19, em que o mundo não foi obrigado a se trancar em casa. A concentração de recursos e esforços pode ajudar a acelerar o processo. Em entrevista para o Ezra Klein, Bill Gates disse acreditar que, até 2022, o mundo já terá vacinado três bilhões de pessoas1.

Mesmo na estimativa mais otimista, serão dois anos em que viveremos aberturas e fechamentos. “No seu texto do Medium muito popular publicado em 19 de março chamado ‘Coronavirus: o martelo e a dança’, Tomas Pueyo previu corretamente o lockdown nacional, que ele chamou de martelo, e disse que se seguiria uma nova fase, chamada por ele de dança, em que partes essenciais da economia podem reabrir, incluindo algumas escolas e algumas fábricas com equipes enxutas. Todo modelo epidemiológico prevê algo parecido com a dança.

Martel (“hammer”) e dança. Gráfico: Tomas Pueyo.

Cada um assume que o vírus voltará com força toda vez que muitos hospedeiros saírem do lockdown, o que forçará um novo lockdown. Então o ciclo se repete. Nos modelos, as curvas com o aumento e diminuição das mortes lembram a fileira de dentes de um tubarão. Surtos são inevitáveis, os modelos predizem, ainda que estádios, igrejas, teatros, bares e restaurantes permaneçam fechados, todos os viajantes de fora sejam colocados em quarentena por 14 dias e viagens domésticas sejam altamente restringidas para prevenir que áreas de alta intensidade reinfectem áreas de baixa intensidade”.

Não há cenário sério em que voltemos às ruas sem restrições até que uma vacina seja descoberta — a não ser que nos deparemos com um altamente improvável deus ex machina, como o vírus não resistir à mariola. É nesse cenário que o nosso engarrafamento vai se suceder. E é assim que tem que ser. Qualquer imbecil que defenda que é preciso voltar à rotina em nome da economia, não entende patavinas de economia. Imagine abrir a concessionária ao lado da sua casa amanhã. Quantos carros serão vendidos? A economia não vai ser retomada quando o governo disser. Há uma profunda crise de confiança no consumidor. Quem, em sã consciência, vai entrar num crediário agora para trocar o carro? Quem melhor sintetizou isso foi o Henrique Meirelles: “existe um equívoco de que o isolamento social, a quarentena, está causando a crise econômica. É ao contrário. A crise é causada pela pandemia. Parece óbvio, mas no discurso de muitos, inclusive em esferas de poder, estão agindo em direção contrária. O setor mais afetado pela crise foi serviços domésticos, que não foi objeto de nenhuma restrição. No entanto, foi o mais afetado pela preocupação das pessoas. O que afeta a economia é a pandemia, não as medidas para combatê-la”.

(Esse cenário todo que eu descrevi é baseado na ciência e, naturalmente, só vai ser seguido por governos preocupados com a epidemia e interessados em encontrar formas de diminuir seus impactos na sociedade. Bom lembrar que não é o caso do miliciano que ocupa o Palácio do Planalto e que produz crises políticas durante a pior pandemia do último século.)

Passado abril, o mês em que saem os resultados financeiros do primeiro trimestre, a gente já começa a ver as mudanças na sociedade. O mercado reflete as mudanças da sociedade e, mais que isso, as expectativas. Antes, vista-se com seu cobertor de otimismo.

Primeiro, uma pincelada geral. Com a pandemia, a produção industrial brasileira caiu 9,1%. Foi o pior março desde 2002, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. O desemprego deve terminar 2020 num patamar recorde de 17,8% da população economicamente ativa — pré-COVID-19, estava em 11,6%. Maior setor da economia, o de serviços caiu 7% em março, maior queda da década, segundo o IBGE. A projeção mais otimista indica retração de cerca de 4% do PIB. Com PIB em queda e desemprego galopante, a taxa de informalidade, que já estava no seu ápice, deve explodir. Onde essas pessoas vão ganhar dinheiro? Vendendo máscara, comida, fazendo entrega e espremendo os R$ 600 pagos pelo Governo (bom lembrar que o Executivo queria dar R$ 200, mas o Legislativo aprovou R$ 600) para que durem o máximo possível. Num cenário como esse, em que a inadimplência com certeza vai aumentar, os bancos já preveem um custo maior do crédito para manter suas margens. No primeiro trimestre, por exemplo, a receita de serviços do Santander caiu porque houve menos transações. O lucro, porém, foi de R$ 3,8 bilhões, 10% maior que no mesmo período de 2019.

Muita gente cita a greve dos caminhoneiros para dizer que, tal qual em 2018, a retomada vai ser rápida. Assim que os caminhoneiros conseguiram o que exigiam do governo, a crise passou porque os caminhões voltaram às estradas. Foi o que o mercado chama de “recuperação em V”. Imagine um gráfico e imagine que a linha do gráfico cai a um patamar baixo. Quando a razão daquela queda se revolve, a linha retoma ao patamar original, o que imprime no gráfico um enorme V.

Com a crise da pandemia, não será assim. O Brasil vai sangrar muito ainda até chegar ao fim do poço e a recuperação será lenta, gradual.

Peguemos como exemplo um dos setores mais tradicionais da economia brasileira, um pilar no qual todos governantes se apoiaram com medidas de desoneração quando a economia engasgava: o automotivo. Em abril, a produção automotiva no Brasil caiu 99,4% na comparação com março. Foram produzidos só 1.870 veículos, o menor número desde 1957, quando a Anfavea, que representa o setor, começou a medir a indústria brasileira já que a indústria brasileira estava nascendo. A queda nas vendas foi de 76%, segundo a Fenabrave. O problema aqui é o efeito cascata de um setor que se confunde com o capitalismo brasileiro: há milhares de concessionárias, oficinas, revendas e afins que vão sofrer junto. Estima-se que, em 15 dias sem operar, cerca de 30% das concessionárias vão quebrar.

As montadoras estão enfrentando um cenário parecido com as aéreas: quedas de receita na casa das dezenas altas. Globalmente, o lucro da GM caiu 86%. O presidente da Fiat na América Latina prevê queda de 70% no segundo trimestre, 40% no terceiro e 20% no quarto. Hoje, a montadora fatura quase zero, o que resulta em problema de caixa — você não tem dinheiro para pagar as contas que vão vencer na semana que vem. Ainda que a queda na receita de viagens tenha sido de só 5% no primeiro trimestre, a Uber vai demitir mais de 6 mil pessoas, um quarto da mão de obra global. O problema é o modelo de negócios — prejuízo de US$ 2,9 bilhões tem pouco a ver com o coronavírus. É inevitável, como já falamos em um outro Tecnocracia, que os preços aumentem.

Para as aéreas é ainda pior: Azul e Gol cortaram centenas de voos nacionais e quase todos os internacionais, já que a demanda caiu cerca de 90%. Ambas sofreram algumas das piores quedas da B3, ainda que os atuais valores de mercado estejam subestimados. Ainda precisamos de aviões para deslocamento e, em algum momento, a rede de voos deve começar a se recuperar. Quando? Ninguém sabe ainda. A dúvida é se, num mercado de margens tão minúsculas como o da aviação comercial, elas serão capazes de sobreviver. A Avianca, segunda maior aérea da América Latina, não conseguiu e quebrou — bom notar que ela já vinha numa crise pré-COVID-19. Em momentos assim, o resgate vem sempre do governo. Aliás, é uma máxima da economia: se tem crise global, os governos vão investir dinheiro público em companhias aéreas.

Está claro que qualquer negócio que dependa de deslocamento físico vai muito mal, com duas exceções: carros de luxo e delivery. As vendas da Porsche no Brasil mais que dobraram nos primeiros quatro meses do ano. A casa grande e senzala continua sendo a lógica fundadora do Brasil, é impressionante.

Quem tem operações de delivery, seja independente ou seja integrado ao seu negócio principal, tem um caminho de crescimento adiante. O número de encomendas transportadas pela Loggi cresceu 94% em abril, sendo que a imensa maioria leva medicamentos, refeições e compras de supermercados. A partir de abril, as empresas de logística passaram a viver uma “Black Friday constante”: o volume diário na quarentena se assemelha ao das promoções da última semana de novembro no varejo brasileiro.

Antes desse crescimento enorme, houve um padrão semelhante aos tsunamis. Não sei se você sabe, logo antes do tsunami chegar à praia, o mar recua e deixa exposto uma grande parte do solo oceânico. Existem alguns vídeos do tsunami que atingiu o Sudeste Asiático em 2004 com as pessoas maravilhadas indo desbravar esse pedaço de terra, o que torna as cenas seguintes ainda mais horrorosas. Na segunda quinzena de março, o volume de entregas por delivery recuou até 30%. A partir do fim do mês, cresceu muito. Observou-se também outro padrão: “no início da quarentena, os itens mais comprados eram TVs, notebooks e acessórios para garantir o trabalho remoto e o entretenimento da família. Depois, as entregas ficaram concentradas em produtos perecíveis e remédios controlados”, reportagem do jornal Valor Econômico sobre a JadLog, outra empresa de logística cujos negócios aumentaram bem com a quarentena.

A onda da logística é surfada também pelo varejo, principalmente o varejo de alimentos e remédios. No fim de 2018, o Grupo Pão de Açúcar comprou uma startup curitibana chamada James Delivery e a relançou, reformulada, três meses depois. (Um pequeno parêntese: GMV é o valor transacionado pela plataforma. Pense no Mercado Livre: a grana que você paga por um produto vai para o Mercado Livre, que repassa ao vendedor.) Durante a quarentena, o GMV do James aumentou mais de 3.000%, enquanto o tíquete médio da compra mais que triplicou e o número de pedidos cresceu mais de nove vezes. Só tem números enormes assim por que tem uma multidão comprando online. O número de pedidos no Pão de Açúcar online cresceu 150% na última quinzena de março e no Carrefour, o e-commerce alimentar triplicou. “O número de pedidos em nosso e-commerce alimentar cresceu significativamente, atingindo recorde de 4.269 pedidos em um único dia. Como base de comparação, nos primeiros 14 dias de março a média de pedidos diária foi de 1.674”. Claro, ambos partem de uma base que não é gigantesca, mas os números não deixam de surpreender. Na Via Varejo (dona das bandeiras Casas Bahia e Ponto Frio), as vendas pelo WhatsApp representaram 20% da receita total no período. Na Droga Raia, a venda de remédios sem prescrição (álcool em gel e antitérmicos) aumentou 46,4% — ou seja, galera estocando — e as vendas online triplicaram. Quem não tinha site se fodeu: as Lojas Cem mudou o C pelo S no nome e não tem receita nenhum por ter fechado todas as lojas. O ano passado já tinha sido de lucro em queda e caixa secando. Temos aí uma provável vítima no varejo.

Imagem: iFood/Reprodução.

Entre as empresas que ganham dinheiro com diversão, nota-se uma divisão que deixaria Moisés impressionado. De um lado, quem depende de tráfego físico e está com receita quase zero. Por exemplo: os cinemas, desesperados para faturar o mínimo de fluxo de caixa. O Cinemark passou a vender pipoca pelo iFood. Não ria: se você estivesse à frente da operação da rede de cinemas, faria o mesmo. A Universal lançou Trolls World Tour direto para on-demand com sucesso (receita de ~US$ 100 milhões), o que fez pelo menos uma rede de cinema boicotar os filmes do estúdio. É muita burrice. A receita do mercado de livros no Brasil, que já era pequena, caiu praticamente pela metade, segundo estudo da Nielsen encomendado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Se o brasileiro já não comprava livro com a economia em recuperação, agora é que não vai comprar mesmo. Editoras como a Companhia das Letras adiaram quase todos seus lançamentos, inclusives de livros que já estão prontinhos. Não existe boas notícias para o mercado editorial brasileiro.

Lucro da Disney caiu 91% — sem parques abertos e com todas as produções de TV e cinema paradas, não chega a ser uma surpresa. A empresa do Walt não só tem uma divisão de TV a cabo que continua sendo muito lucrativa como surfou bem a onda do streaming na quarentena com o Disney+. Até o fim de 2024, a empresa esperava acumular, no mínimo, 60 milhões de clientes. Em maio, o número chegou a 54 milhões. Vai ter Star Wars até a oitava geração do Han Solo — se não for tão merda quanto esse mais recente, por mim tudo bem.

Já que o papo é streaming, passemos à parte eufórica da festa: a Netflix esperava ganhar pouco mais de 7 milhões de novos clientes no primeiro trimestre. Veio o dobro, quase 16 milhões. O número de assinantes premium do Spotify cresceu 31% em um ano. E o Uol finalmente entrou no setor com o Uol Play, uma notícia que só é chocante se você não havia se perguntado por que o portal, com seu hábito de produzir clones de serviços populares, demorou tanto. Taí o UOLKut, o ComVc e o PagSeguro que não me deixam mentir. Verdade seja dita, o Uol se reinventou quando imitou o PayPal com o PagSeguro. É uma das grandes histórias da internet brasileira da última década, tem episódio do Tecnocracia sobre isso.

O lucro da Nintendo subiu 33,5% embalado pelo sucesso do Switch, que voltou a esgotar em lojas por duas causas, fora a quarentena: 1) dois novos jogos do Pokémon; e 2) Animal Crossing: New Horizon, esse jogo esquisitíssimo na sua fofura. Fortnite, da Epic Games, alcançou 350 milhões de jogadores registrados e se juntou a um grupo seleto de games que se encaminham a uma comunidade de meio bilhão de pessoas: Minecraft e alguns desses jogos gratuitos para celular. Tudo indica que Fortnite tem fôlego para se transformar no videogame mais popular da história — você, purista, pode tirar as calças e pisar em cima de raiva. Em só um ano, o jogo ganhou 100 milhões de jogadores.

Se sua diversão é levantar peso, dar braçadas na piscina2 ou beber uma cerveja vendo um show, mais más notícias: redes de academia estão tentando se adaptar a essa rotina de malhar em casa olhando para o celular ou para a TV enquanto o cachorro te olha com um misto de curiosidade e desprezo3. A Gympass lançou uma plataforma que permite que as academias inscritas produzam e transmitam aulas pela internet. Para yoga e funcional pode até funcionar. E jogar tênis ou nadar? Faz o quê? É o que tem, já que nem Gympass nem Smart Fit planejam uma volta física ainda. A Nike passou a veicular treinos no YouTube.

A volta das competições esportivas é um mistério. O UFC voltou, mas um dos lutadores teve que ser tirado às pressas do card por ter testado positivo para COVID-19. A Bundesliga voltou e, dias após o começo dos treinos, o Dynamo Dresden, da segunda divisão, foi colocado inteiro em quarentena quando três jogadores testaram positivo. Para lidar com a doença, os times alemães não entrarão juntos em campo, não poderão se cumprimentar ao fim do jogo e nem comemorar gols se abraçando. A marcação homem a homem e a aglomeração na área durante o escanteio estão liberadas.

Na educação, o Google invadiu escolas públicas no Brasil com o Classroom e o Zoom invadiu as escolas privadas. Pais insatisfeitos com as mensalidades nas alturas estão indo à Justiça para pagar menos pelas aulas remotas. A probabilidade de retomada física do ano letivo no Brasil diminui conforme a curva de mortos aumenta. Em Nova York, já é oficial: aula presencial só em 2021. A Udemy teve um aumento de 425% em cursos iniciados. Cada país estuda o que tem interesse. Na Itália, Espanha e Reino Unido, o maior interesse é em aprender instrumentos. No Canadá e na França, trading na bolsa. No Brasil, marketing no Instagram (meu deus do céu, mete uma bala na minha cabeça). Aliás, o Brasil é o que teve o menor aumento entre os 11 maiores mercados da Udemy. É totalmente entendível: com a raiva de ter que aguentar diariamente um presidente desses, não há foco na aula que sobreviva.

Em tecnologia, as notícias ou são boas ou excelentes. No Brasil, boas: a receita de banda larga doméstica da Claro cresceu 11,2% no primeiro trimestre, o lucro da Telefônica foi de R$ 1,1 bilhão, queda de 14% por causa de gastos únicos (a margem EBITDA, que mostra a saúde do negócio, cresceu) e o lucro da TIM cresceu 35%.

Para as Big Tech, só excelentes: o Google entregou um primeiro trimestre monstro, com aumento de 13% na receita e lucro crescendo. O YouTube cresceu 33%. O do Facebook foi ótimo não só pelo lucro de US$ 4,9 bilhões, mas pelas ótimas perspectivas: a receita publicitária em abril parece ter se estabilizado. As mais afetadas: turismo e carros. As que mais cresceram: games, entretenimento e e-commerce. A Amazon só cresce: desde 1º de janeiro, a empresa criou e preencheu 175 mil novas vagas de trabalho no mundo — três vezes o número total de funcionários da Petrobrás (57.983), a maior empresa de capital aberto do Brasil, para você ter ideia. A concentração das cinco maiores empresas da S&P (Microsoft, Apple, Facebook, Google e Amazon) chegou a 20%, maior índice em 40 anos. O planeta é da Big Tech, a gente só vive nele.

Gráfico: Goldman Sachs.

É verdade que porrada do mercado publicitário se traduzirá em ganhos menores. É o que já falamos aqui: para Big Tech, isso significa encher a piscininha com 10 garrafas de champagne, não 12. Quem vai sofrer mesmo é quem trabalha com publicidade e não tem as margens gordas e o cofre cheio da Big Tech, como as agências, que já estavam num momento ruim. Ainda há benesses: Google e Facebook pegaram carona no frenesi do Zoom e lançaram serviços idênticos, o Meet gratuito para todos e o Messenger Room, respectivamente. É abuso de poder em letras garrafais, exatamente o que o Facebook fez no Instagram para desossar o Snapchat. Quando aparece um rival que atrai atenção e bilhões de dólares, os gigantes vão lá e esmagam. Sem qualquer punição, elas farão isso eternamente. Enquanto 28 milhões de norte-americanos e um número estimado semelhante de brasileiros vão perder os empregos, o patrimônio dos bilionários do mundo (liderados pelos fundadores de, acertou!, Microsoft, Amazon, Facebook, Google, Oracle…) cresceu US$ 308 bilhões. O share que as 17 pessoas mais ricas do mundo têm atingiu 1,3% de TODO O DINHEIRO DO MUNDO, segundo a Forbes. Em 1982, era “só” 0,2%. Cresceu seis vezes. Enquanto isso, Facebook e YouTube descobrem magicamente, depois de anos enrolando e pagando advogados e assessores para alegar que “não pode interferir na liberdade de expressão”, onde traçar a linha da desinformação. Finalmente vídeos com mentiras são classificados como mentirosos. A desplataformização dessa corja que espalha mentiras sobre Bill Gates e a OMS é o caminho.

É esse o “novo normal”. Voltemos ao Cortazar. Com semanas de congestionamento, o povo começa a se acostumar e, principalmente, a fazer planos. “O engenheiro, que acabara por entregar-se a uma indiferença quase agradável, sobressaltou-se, por um momento, com a tímida revelação da moça do Dauphine, mas depois compreendeu que não podia fazer nada para evitá-lo, a ideia de ter um filho dela acabou por parecer-lhe tão natural quanto a distribuição noturna dos mantimentos ou as viagens furtivas até a beira da auto-estrada”. A situação nova se torna tolerável, até com momentinhos agradáveis. Você pode tentar transplantar isso para a nossa realidade, mas a realidade do Cortazar não faz jus à profundidade, às camadas da nossa realidade.

Em 2020, a gente malha em frente ao iPad, discute produtos de limpeza no WhatsApp, posta no Instagram quando faz meditação, canta para a TV durante a live no YouTube, vê mais uma nova série na Netflix, recebe as compras, os lanches, as marmitas por um batalhão de motociclistas, ciclistas e motoristas anônimos, participa de calls infinitas no trabalho acomodado dentro de casa, faz terapia e happy hour por Skype acomodado na poltrona. No fim do dia, com a cabeça do travesseiro, todos admitimos os desafios, saudosos dos cafés, das aulas de ginástica, das baladas, dos restaurantes, mas cientes também de que a situação, ainda que triste, tornou-se tolerável, até com momentinhos agradáveis.

Esse só é o “novo normal” de um grupelho muito pequeno, da classe média para cima. Da classe média para baixo, é o velho normal de sempre, com a agravante do risco de ser contaminado pelo coronavírus. Empregados informais que têm apenas um mês de salário guardado para se sustentar, segundo pesquisa da Plano CDE, empregadas domésticas demitidas depois de anos sem qualquer direito trabalhando nas casas, brasileiros pobres aglomerados em filas intermináveis na porta de agências da Caixa no Brasil inteiro em busca dos R$ 600 dados pelo Governo, sem o privilégio de poder fazer isolamento e continuar trabalhando. É emblemático que a primeira vítima do coronavírus no Brasil tenha sido a empregada doméstica Cleonice, infectada no Leblon pela patroa que voltou da itália com o vírus.

Fila em uma agência da Caixa na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), em um sábado do início de maio. Foto: Roberto Parizotti/FotosPublicas.

Dados compilados pela Folha mostram que a queda no deslocamento nas regiões ricas foi sete vezes maior que nas regiões pobres de São Paulo. Quarentena no Brasil é coisa de rico. Como bem definiu Leandro Karnal para o Estadão: “Classes média e alta enfrentam tédio, classes baixas enfrentam fome”.

Gilberto Freyre sempre teve razão. O Brasil sempre foi baseado na dicotomia entre casa grande e senzala. Hoje, quem sustenta, alimenta e esconde para os olhos da casa grande essa desigualdade é a tecnologia. Mais que isso: a tecnologia introduz essa perversa desigualdade que vivemos no Brasil em uma escala global. A mesma tecnologia que continua crescendo como um cavalo enquanto centenas de milhões de pessoas pelo mundo vão perder seus empregos. A mesma tecnologia que faz começarem a cogitar se Jeff Bezos será o primeiro trilionário da história. Bilionários não fazem sentido. O que dirá de um trilionário? A tecnologia alimenta a desigualdade e também a esconde: é possível não ter nenhum contato com as mazelas da sociedade, em nome da comodidade. Você já foi ao mercado em tempos de pandemia? Eu vou e eu vou te contar como é: quem veste camiseta de app de entrega de mercadoria é esmagadoramente pardo ou negro, mais que os 53,9% que os pardos e negros representam na população brasileira, segundo o IBGE.

Você, que trabalha com tecnologia, pode se convencer que tudo é vantajoso. “Ah, Guilherme, os apps de entrega/compras de mercado dão oportunidade para quem não teria outra fonte de renda e as lives arrecadaram milhões de cestas básicas”. Verdade. Nenhum dos argumentos, porém, ataca o problema principal, a desigualdade. Não se faz uma nação com empregos de baixíssima qualificação, como escolher e entregar banana para a dondoca. Nem com caridade, como as doações para as lives.

O “novo normal” não tem nada de muito novo. Quem pertence ao topo da pirâmide se protege da galopante desigualdade social. Quem ocupa o resto da pirâmide tenta sobreviver. No fim do conto do Cortazar, o congestionamento termina de repente e os carros começam a andar com velocidade em direção a Paris. No meio da marcha, os ocupantes entendem que os planos feitos durante o engarrafamento evaporaram assim que o nó foi desfeito. A ideia de ter filhos, construir um futuro, deixa de fazer sentido na hora em que eles percebem que podem voltar à vida antiga que tinham. É o que deverá acontecer com a sociedade assim que uma vacina para o Sars-cov-2 for sintetizada. Voltaremos à nossa marcha da insensatez. “Eu não acredito por meio segundo nas declarações que ‘nada será como antes’. Nós não acordaremos após o lockdown em um novo mundo. Será o mesmo, só um pouco pior”. Quem falou isso foi o escritor francês Michel Houellebecq — alguns dos seus livros mais famosos, como Submissão, se passam em cenários pós-apocalípticos. Eu concordo com cada letra.

Se você espera uma iluminação espiritual da sociedade pela pandemia, esqueça. Mas, se você quer ser otimista, então existe a chance de a crise da COVID-19 nos tornar melhores ao descortinar de maneira ainda mais violenta a brutal desigualdade brasileira, que inviabiliza que dezenas de milhões não tenham uma poupança para sobreviver a dois meses sem trabalho ao mesmo tempo que Porsches esgotam durante uma pandemia. De mostrar explicitamente a multidão anônima e pobre cujos serviços as classes médias e ricas consomem diariamente sem se dar conta. De escancarar como a tecnologia nos ajuda a ignorar essa realidade nos dando tantas distrações que se torna praticamente impossível sair da própria bolha, da própria câmara de eco, do próprio feed. De como a gente desenvolveu essa Síndrome de Estocolmo tecnológica.

Foto do topo: Life of Pix/Pexels.


  1. E vamos deixar claro que o Bill Gates é o único sujeito de tecnologia cuja opinião sobre coronavírus vai ser levada a sério, já que ele tem falando sobre o assunto há quase uma década.
  2. Ah, que saudades da minha natação…
  3. Só o meu que faz isso?

Edição 20#17

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Como funciona o licenciamento
O licenciamento de marcas e personagens é onipresente na nossa vida. Sabe aquele caderno de 10 matérias com capa do Bart Simpson e adesivo 3D, que você tinha no Ensino Médio? É fruto do licenciamento. A chupeta das crianças, com a cara da Galinha Pintadinha, que você comprou na loja de R$ 1,99? Foi licenciada. O pacote de maçã da Turma da Mônica? Licenciado. A meia de Star Wars? Licenciada. Trata-se de um mercado que movimenta 170 bilhões de dólares no mundo todo e a maneira ideal (e lucrativa) das empresas e estúdios se conectarem com os fãs no dia a dia. No Braincast 379, Carlos Merigo, Bia Fiorotto e Pedro Strazza conversam com Marici Ferreira, CEO da EP Grupo, sobre os segredos do do licenciamento dos dois lados do balcão. Estampar personagens aumenta as vendas? Como é o mercado no Brasil? Como isso impacta o consumo e os dilemas da publicidade infantil? =====ASSINE O BRAINCAST E FAÇA PARTE DO NOSSO GRUPO FECHADO Assinando o Braincast você pode interagir com a gente em grupos fechados no Facebook e Telegram, além de receber conteúdo exclusivo. Faça download do PicPay para iOS ou Android, clique em “Pagar”e procure pelo Braincast, ou então acesse a URL: picpay.me/braincast =====QUAL É A BOA? Para saber mais informações sobre as indicações dos podcasters da mesa, acesse http://qualeaboa.b9.com.br. =====FICHA TÉCNICA O Braincast é uma produção B9 Apresentação: Carlos Merigo Coordenação geral: Carlos Merigo, Ju Wallauer e Cris Bartis Produção e apoio à pauta: Bia Fiorotto Edição e Sonorização: Alexandre Pottaschef e Mariana Leão Identidade visual: Johnny Britto Coordenação digital: Agê Barros, Pedro Strazza, Lucas de Brito e Hiago Vinicus Atendimento e Comercialização: Rachel Casmala, Camila Mazza e Telma Zenaro ===== Críticas, comentários, sugestões para braincast@b9.com.br ou nos comentários desse post.
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Naruhodo, Ken Fujioka, Altay de Souza, B9
Naruhodo #257 - Sons binaurais ajudam a nossa mente?
Eles prometem mais concentração, mais memória, mais criatividade... São os sons binaurais, que viraram sensação no Youtube. Mas há evidências científicas de que eles trazem reais benefícios para nossas mentes? Confira no papo entre o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza. OUÇA (47min 25s) * Naruhodo! é o podcast pra quem tem fome de aprender. Ciência, senso comum, curiosidades, desafios e muito mais. Com o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza. Edição: Reginaldo Cursino. http://naruhodo.b9.com.br * PARCERIA: ALURA A Alura tem mais de 1.000 cursos de diversas áreas e é a maior plataforma de cursos online do Brasil -- e você tem acesso a todos com uma única assinatura. Aproveite o desconto de R$100 para ouvintes Naruhodo no link: https://www.alura.com.br/promocao/naruhodo * REFERÊNCIAS Binaural Beat: A Failure to Enhance EEG Power and Emotional Arousal https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5694826/ 90 Minutes of Focused Studying: The Best Binaural Beats https://www.youtube.com/watch?v=eqKQACO4HAk The Effect of Binaural Beats on Visuospatial Working Memory and Cortical Connectivity https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0166630 Binaural Auditory Beats Affect Vigilance Performance and Mood https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0031938497004368?via%3Dihub Efficacy of binaural auditory beats in cognition, anxiety, and pain perception: a meta-analysis https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00426-018-1066-8 Binaural auditory beats affect long-term memory https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00426-017-0959-2 A prospective, randomised, controlled study examining binaural beat audio and pre‐operative anxiety in patients undergoing general anaesthesia for day case surgery* https://associationofanaesthetists-publications.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1365-2044.2005.04287.x Modulation of Item and Source Memory by Auditory Beat Stimulation: A Pilot Study With Intracranial EEG https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnhum.2018.00500/full Binaural Beats through the Auditory Pathway: From Brainstem to Connectivity Patterns https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7082494/ The Effects of Binaural and Monoaural Beat Stimulation on Cognitive Functioning in Subjects with Different Levels of Emotionality https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7204407/ 40-Hz Binaural beats enhance training to mitigate the attentional blink https://www.nature.com/articles/s41598-020-63980-y Modulation of Mind Wandering Using Auditory Beat Stimulation: a Pilot Study https://link.springer.com/article/10.1007/s41465-019-00137-4 Event-related potentials to single-cycle binaural beats of a pure tone, a click train, and a noise https://link.springer.com/article/10.1007/s00221-019-05638-4 Inter- and intra-individual variability in alpha peak frequency https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1053811914000792 EEG alpha and theta oscillations reflect cognitive and memory performance: a review and analysis https://www.sciencedirect.com.sci-hub.st/science/article/abs/pii/S0165017398000563 Naruhodo #26 - Meditação faz bem pra saúde? https://www.b9.com.br/shows/naruhodo/naruhodo-26-meditacao-faz-bem-pra-saude-segundo-ciencia/ Naruhodo #106 - Hipnose funciona? – Parte 1 de 2 https://www.b9.com.br/81140/naruhodo-106-hipnose-funciona-parte-1-de-2/ Naruhodo #107 - Hipnose funciona? – Parte 2 de 2 https://www.b9.com.br/81509/naruhodo-107-hipnose-funciona-parte-2-de-2 Naruhodo #131 - O que é ASMR? https://www.b9.com.br/shows/naruhodo/naruhodo-131-o-que-e-asmr/ Naruhodo #240 - Porque ruídos nos incomodam tanto? https://www.b9.com.br/shows/naruhodo/naruhodo-240-por-que-ruidos-nos-incomodam-tanto/ Podcasts das #Minas: POTOCAS #MulheresPodcasters https://open.spotify.com/show/5aNl3vxi4R0JLH9DEfgSzW * APOIE O NARUHODO! Você sabia que pode ajudar a manter o Naruhodo no ar? Ao contribuir, você pode ter acesso ao grupo fechado no Telegram, receber conteúdos exclusivos e ter vantagens especiais. Assine o apoio mensal pelo PicPay: https://picpay.me/naruhodopodcast
47 min
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Viracasacas
#193 - Guerra e Paz na Colombia - com Matheus Lobo
Saudações pessoas! Nesse episódio do Viracasacas recebemos o jornalista Matheus Lobo para uma conversa sobre um assunto que volta e meia citamos em outros episódios: a política colombiana. Matheus é autor, junto com o Rodrigo Simões, do livro “Colômbia - movimentos pela paz”, publicado em 2014. Começamos falando sobre o processo de pesquisa e escrita do livro, que se deu num momento no qual os acordos de paz ainda eram incertos. Depois abordamos como o senso comum político e midiático trata o conflito colombiano de forma caricata, isolando o surgimento de grupos armados insurgentes como as Farc e o ELN de um contexto histórico de violência política e guerra civil. Falamos também sobre a altíssima incidência de assassinatos, desrespeito aos direitos mais básicos e perseguições políticas encabeçadas por governos, autoridades e paramilitares alinhados à direita – que aparecem menos do que deveriam na grande mídia. Dado esse panorama, seria possível chamar de democrático um Estado que assassina 14 pessoas num protesto contra a violência policial? Além disso, o contexto político de longa duração da Colômbia traz paralelos importantes para pensar o caso Brasil, sobretudo depois a ascensão do bolsonarismo. O uribismo é um fenômeno político marcado por uma direita populista, autoritária e alinhada com latifundiários, paramilitares e narcotraficantes. Álvaro Uribe, no auge de sua popularidade, decretou uma guerra total à sociedade civil colombiana com a desculpa de combater as Farc. Apesar de tudo, novos ventos sopram no país e é mais que necessário entender como foi possível agir politicamente num cenário tão adverso como esse
1 hr 54 min
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